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14.maio.2021

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  14.maio.2021 Sou barco à deriva em praia deserta,   Âncora partida cravada entre as rochas, Leme desfeito em espuma branca, Sou casco sem cor que vagueia… As velas… levou-as o vento e cobriu a noite, Sou barco à deriva em praia deserta, Ficaram no horizonte os sonhos dos dias, Na areia, os passos em desencontro, escorrem entre conchas e seixos polidos, Voos rasantes cortam o ar e levam para longe o que resta de mim… Sou barco à deriva em praia deserta. D.P. 

8 de março de2021

  8 de março de2021 Neste dia, quero lembrar apenas uma mulher: a minha Mãe! Uma mulher linda, de cabelos longos e muito negros   onde o mar se inspirou quando em ondas beija a praia… E aqueles olhos de verde água cristalino, que raramente sorriam… Era linda a minha mãe. Linda, porque era a minha mãe! Sempre lhe conheci no rosto os traços do tempo, envolvidos na candura de uma meninice que não viveu. Trabalho e luta, muito trabalho e muita luta para vencer uma vida que sempre se mostrou agreste e adversa. Hoje, tinha de lembrá-la em nome de todas as mulheres que fizeram das suas vidas um hino à própria vida. Tivesse esse hino o nome dos filhos ou fosse apenas um canto ao seu próprio ser… Por todas aquelas mulheres que sozinhas se desdobraram em amor e trabalho para susterem os pilares da família… Por todas as mulheres que souberam rir enquanto o coração sangrava de dor, de revolta, de resignação… Por todas aquelas que se levantam, todas as manhãs com a noite ...

A ti, filha…

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  A ti, filha… 4 de março 2021 O dia amanheceu límpido, luminoso, suave e morno… Era março, como hoje… era março, há 33 anos! Uma ânsia vestida de amor alojara-se no meu peito e pela noite fora me tirara o sono, Aguardava-te, e a certeza de que já eras minha, dava-me a serenidade que precisava. O sol derramou o seu brilho pela manhã, era o dia mais longo dos meus 27 anos… E naquele dia, 4 de março, a vida desdobrou-se em amor! Ter-te nos meus braços, e quase a medo, percorrer cada pedacinho do teu ser, era o êxtase de ternura pura, que só os meus olhos revelavam… Era março, e no meu colo já se aconchegava a primavera… E nessa manhã clara filha, eu acabara de nascer! O dia terminou límpido, luminoso, e suavemente embrulhado em amor! D.P.    

Às minhas alunas

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  Às minhas alunas   Para celebrar estes dias de chuva, resolvi “ir” ao cinema, em casa, claro! Procurava, por um lado, uma motivação para as minhas aulas de 9º ano e por outro, aliviar este tempo de confinamento e descontrair um pouco. Já conhecedora da história desta película, não deixei a curiosidade de lado. Como não sou crítica de cinema, centrei-me apenas na história que se baseia em factos reais: a luta das mulheres inglesas pelo seu direito ao voto: “As Sufragistas”! O filme retrata a Inglaterra do início do século XX, mas por incrível que pareça, essa luta ainda continua em algumas partes do Globo, em pleno século XXI! Quero, na próxima aula do 9º ano, onde abordaremos o tema, “Os Loucos Anos 20”, mostrar aos meus alunos que esta luta ainda não está terminada e que Mulheres e Homens devem participar na vida política e social de forma equitativa e fraterna. Mostrar-lhes que só assim poderão, eles e elas, (alunos) construir um mundo mais justo, democrático e lib...

Uma canção antiga

                    Uma canção antiga           O céu,  hoje, deu uma trégua, abriu um pouco a cortina nostálgica que o tem escondido nestes últimos dias. Resolvi ir caminhar, consciente que iria desobedecer à obrigação de confinamento a que todos estamos sujeitos. Arrisquei...        Seria apenas uma pequena caminhada no meu passo ligeiro, contrariando o compasso sereno da música francesa que rodava nos meus ouvidos. O vento agreste fustigava-me o rosto, mas continuei.           Gosto de caminhar com o frio. Logo deixei o asfalto para me aventurar entre os pinheiros esguios que procuravam  o firmamento e curiosamente o vento serenou. Então corri, corri enquanto este meu coração me deu permissão e  as minhas pernas lhe obedeceram. Corri e ia saltitando afastando-me dos pequenos charcos que se atravessavam no meu caminho. Senti-me leve...

Olhares de inverno

Olhares de inverno  A minha janela vestiu-se de inverno... E de nuvens espessas emoldurou as árvores despidas e os pardais fugidios, As vidraças cintilam cristais que se alongam sem pressa, como estes dias de cinza... Da minha janela oiço o vento,  agitam-se as azáleas que rasgam de verde a tarde opaca,  vislumbro as violetas, trémulas e minúsculas... Quase lhes sinto o doce perfume. Da minha janela, o céu vai-se fechando, não tarda a trancar a noite,  e brandamente aconchegá-la com colchas de neblina. Corro as cortinas,  lá fora... só o breu persiste... D.P.

Quando o fim chegar...

Quando o fim chegar...  Quero escrever sobre a eutanásia,  um tema delicado, íntimo até, doloroso, inquietante e por tudo isto: muito importante! Falar da morte é tão importante como falar da vida. Ser mãe, foi por exemplo, o meu maior desafio enquanto mulher. Dar a vida a uma criança é uma enorme responsabilidade. Mas todos sabemos que o nascimento quase se banalizou, perdoem-me a crueza da palavra, mas nem sempre nascer é um ato de amor, de amor responsável... Mas voltemos à morte! Sim, é dura esta palavra! E mais dura se torna nesta nossa mentalidade judaico-cristã em que quase todos nós nascemos e fomos educados. Portugal, país tradicionalmente católico, mas um Estado laico, aprovou a lei da morte medicamente assistida, que fez e ainda há-de fazer correr muita tinta. Eu também me interroguei, (e interrogo) muitas vezes da legitimidade dessa decisão dizer única e somente respeito àquele que  quer morrer.  Mesmo que eu entenda esta lei, a morte assusta-me, mas assu...